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I’m back!

Não sei se é este o momento certo pra eu voltar a escrever aqui, afinal, não ná algo mais narcisista e egoísta que este blog. E é exatamente o que eu não preciso neste momento. Mas volto a escrever por que isso me faz bem. É como um psicólogo gratuito, onde eu encaixo minhas ideias e tudo flui mais fácil.

O primeiro parágrafo foi fácil de escrever. Este segundo que não está vindo ideia nenhuma. Acho que estou meio enferrujado…

Bom, minha vida mudou muito desde a última vez que deixei algumas palavras escritas por aqui. Mudei de cidade, entrei na faculdade, morei em uma república de estudantes, aprendi a beber de verdade, me apaixonei de verdade. Engordei, comecei a namorar, comecei a morar sozinho, aprendi que distância e saudade são coisas difíceis de lidar.

Essas foram as maiores mudanças. E no meio disso tudo eu perdi o pedaço de papel onde estava escrito o real objetivo deste blog. Será que alguém realmente lê o que eu escrevo? Onde eu queria chegar quando criei isso aqui?

Quer saber? Deixa estar… Vou voltar a escrever. Quem sabe eu encontro o objetivo. Vou escrevendo daqui e vocês vão lendo daí (se é que tem alguém aí). Sei que não sou um mestre na escrita mas vamos ver até onde isso me leva.

Quem sabe me leve até a lua. Ou até a esquina. Só quero que me leve a algum lugar. Ficar parado como eu estou é que não dá mais!

Dois violões

Tiro a poeira daquele violão escorado na parede. Suas cordas desafinadas não me fazem desistir. Dedilho alguma coisa. Toco bem baixo que é para não acordar quem dorme ao lado. Não canto a canção, só reflito a letra.
Então me lembro que a música é cantada em dupla. Acabo saindo do ritmo.
Busco no pensamento a outra voz para me acompanhar. Mas faz tanto tempo que não a ouço. Umas 24 horas. Tempo suficiente para fazer falta.
O relógio anda. Mais uma hora se passou. Já perdi o ritmo e a letra da música.
As batidas no violão são estranhas, violentas. Quebro duas cordas.
Preciso da minha dupla. Preciso da sua voz. Preciso da sua presença.
Ela vai saber consertar as cordas, vai me colocar no ritmo e vai cantar a canção que eu fiz.
Fiz para ela.

Caixa de descobertas

Hoje eu abri minha caixinha de descobertas que ganhei da minha avó quando era pequeno e tirei de lá um sentimento novo. Não me lembro de tê-lo sentido antes. Procurei metáforas para descrevê-lo e a melhor que achei foi a seguinte: um balde de água em cima de uma chama que insistia em ficar acesa.
Foi estranho, mas não podia colocar o sentimento de novo na caixa. Estava lá escrito na tampa: “Por sua conta e risco”. E eu sabia no que estava me metendo. Eu não poderia simplesmente voltar no tempo e desgostar. Também não poderia fingir que não aconteceu.
Resolvi ligar pra minha avó. Ela saberia o que fazer. Falou que eu tinha que esperar um tempo até que eu estivesse pronto para tirar algo novo da caixinha. Não falou quantos dias ou quantos meses, só um tempo. Acontece que eu sei que vou tirar algo novo de lá mais cedo ou mais tarde. Esse negócio de tempo não serve para mim. Talvez seja meu signo de sagitário com ascendente em aquário que me faça impaciente desse jeito.
Estou com o sentimento aqui guardado. Tento conviver com ele. Está sendo difícil. Deixa estar.
E as brasas daquela chama? Também estão aqui. É só soprar que elas se acendem…

Tulipas Vermelhas

Borboletas coloridas voam
Sobre as tulipas vermelhas
Enfeitando o teu jardim.
Tento fazer parte disso.

Minha memória vem à tona.
Lembro das primeiras conversas,
Assobiando com o passarinho azul
Assobiei tanto que perdi a voz.

Volto-me para o jardim,
Fiz uma visita.
Não sei se era um jardim
Ou o paraíso.

Só sei que preciso fazer parte disso.
De novo…

La Joconde

Me apaixonei por uma obra de Da Vinci.
Não amei, me apaixonei.
Dormi com seus traços na minha mente.
Belas pinceladas aquelas.

Pulei muros para conquistá-la,
Roubei rosas que nunca cheguei a entregar,
Busquei seu coração,
Nunca com muita vontade.

Me tornei um apaixonado pela arte.
Mas as cores frias daquela tela
Esfriaram meu coração.
E isso foi há muito tempo atrás.

Saudade

Vou sentir falta daz vezes que eu passava as férias ao seu lado. Pra falar a verdade, quase todas.

Falta das sextas-feiras que a gente saía pra comer aquele pé-de-porco na esquina do Bar do Mário.

Saudades de ouvir Beatles ao seu lado. Foi o senhor que me ensinou a ouví-los.

Vou sentir falta das histórias que o senhor me contava sobre o Cruzeiro de Nelinho, Piazza, Tostão…

Ir à Serra Branca, sentar em um barzinho, sentir frio e voltar pra casa já pensando em fazer a mesma coisa no dia seguinte.

Das vezes que eu acordava seis horas da manhã no domingo pra poder ir ao Mercado. Só pra no final, o senhor me pagar um pastel com caldo-de-cana.

Agora só me restam as lembranças dos bons momentos.

E as lágrimas que escorrem enquanto escrevo este texto…

Abalando as estruturas

Já estava no terceiro ano do ensino médio.  Sempre foi um nerd de meia-tigela, com as notas acima da média. Nunca tinha ficado de recuperação, nem levado advertência da diretora. Alguns dias atrás ele acordou. Viu que estava no “Terceirão”, sua última oportunidade de bagunçar, farrear e curtir com os amigos.

E que amigos! A famosa “Galerinha do Mal”, “Turma do Fundão”. Faziam piadas de tudo e com todos. Resolveram então deixar uma marca, literalmente, da passagem deles pelo colégio. Algo que marcasse. Viraram ele de cabeça para baixo e deixou sua marca. Seu All-Star tamanho 43 rachou o gesso do teto da sala. Pensara que era concreto. Engano que custou caro.

Três dias de suspensão depois de se entregar. Seguiu o horóscopo do seu signo de Sagitário que aconselhava ser honesto e fugir dos remorsos. Mas é nessas horas que se nota a diferença entre colegas e amigos. Eles foram dividir a culpa com seu parceiro de gozações. Levaram três dias também…

Resta agora as piadinhas de “treme-teto”, “tremores no colégio”… Mas, afinal de contas, o que ele iria contar para seus netos?!

Agradeço a João Otávio, Thiago, João Paulo e Luís Octávio por essa aventura.

Feche os olhos

“Viva como se fosse seu último dia”. Já percebeu como todo mundo repete esse bordão, mas não coloca nada em prática? Claro! Simplesmente porque nem tudo é feito em curto prazo, melhor dizendo, quase nada.  Mas também pelo receio que temos de algo dar errado, medo das consequências.

Mas acho que essa frase serve para uma reflexão mais para o lado sentimental, principalmente para os apaixonados que, na maioria das vezes, são os que não a colocam em prática. Percebem um sentimento diferente, uma coisa além da amizade. Mas o tempo vai passando, passando…

É com isso que eu acho uma palavra que se encaixa e até substitui o nosso bordão, o qual influencia muitos compositores: iniciativa. Praticando essa ação, tendo esse pensamento, você consegue de um emprego numa grande empresa a um amor incondicional, uma amizade verdadeira. Paralelo a essa ação, inexistirá o arrependimento, o “querer voltar no tempo.”

Lembro-me de uma vez que estava inseguro para chamar uma garota pra sair. Fui a sua direção, mas acabei dando meia-volta. Parei uns dez segundos e me chamei de frouxo. Voltei pra ela e perguntei se topava. Levei um fora, mas foi muito melhor que ficar pensando o fim-de-semana todo na oportunidade perdida.

Talvez o passo que está faltando a você é minúsculo, mas você tem medo das consequências. Esqueça-as um minuto. Arrisque-se…

Solidão Necessária

Trabalho, estudo, paixões, dinheiro, família, amigos. A maioria dos nossos problemas está relacionado a isso. Pode ser um de cada vez ou até todos ao mesmo tempo. Mas chega uma hora que tudo explode. É preciso um tempo sozinho para não pensar em nada (ou colocar tudo no lugar). Tempo para sentar embaixo de uma árvore, ao lado de uma lagoa e  apreciar o canto dos pássaros, perceber a direção que o vento sopra e como a vida anda. Sentir aquele momento é necessário.

A solução dos problemas virá mais rápido que se pensa…

A solidão

A Indesejada das Gentes.

Alguém aí já teve medo da morte? Acho que todo mundo já teve. Não adianta se fazer de durão, você já tremeu as pernas sim ao pensar nela e ao pensar pra onde você vai.

A última vez que tive medo dela eu estava nadando na piscina do clube. Veio um sentimento estranho, algumas perguntas e uns pensamentos como: Para onde eu vou? Porra, será que eu vou esquecer tudo que eu estou vivendo? Perder tudo que estou conquistando? Eu vou perder meus familiares e amigos? E o pior.. Eu não vou estar mais aqui para viver os acontecimentos da Terra, seja uma Terceira Guerra Mundial ou um abraço entre o Hugo Chávez e o Bush. Me senti tão aflito que saí repentinamente da piscina e meus primos ficaram se perguntando o que tinha acontecido comigo. O que aconteceu comigo?

Acho que o ponto que eu quero tocar neste texto e o ponto que eu sinto maior receio não é a morte, já que esta é certa e eu já estou conformado dela. O que me inquieta é o pós-morte. Não é o céu ou o inferno. É saber se eu vou para junto de Deus, se eu reencarno ou se eu simplesmente sumo. É saber se a consciência existe unicamente como resultado de correlações da matéria ou se ela não tem origem física, apenas usa o corpo como instrumento para se expressar.

Mas então chego à conclusão que não vou gastar meu nobre e curto tempo pensando nisso, pois quando menos se espera: pimba! Só escrevi isso aqui para me extravasar e liberar o que tava engasgado. Mas gastei muito tempo. Agora me dá licença que eu vou viver…

Post-Scriptum: Como ouvi uma senhora dizendo: “Eu?  Não, não me preocupo com a morte. Por quê? Pois preocupação dá rugas… (risos)”.

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Consoada – Manuel Bandeira

Quando a indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

Alguém aí já teve medo da morte? Acho que todo mundo já teve. Não adianta se fazer de durão, você já tremeu as pernas sim ao pensar nela e ao pensar pra onde você vai.

A última vez que tive medo dela eu estava nadando na piscina do clube. Veio um sentimento estranho, algumas perguntas e uns pensamentos como: Para onde eu vou? Porra, será que eu vou esquecer tudo que eu estou vivendo? Perder tudo que estou conquistando? Eu vou perder meus familiares e amigos? E o pior.. Eu não vou estar mais aqui para viver os acontecimentos da Terra, seja uma Terceira Guerra Mundial ou um abraço entre o Hugo Chávez e o Bush. Me senti tão aflito que saí repentinamente da piscina e meus primos ficaram se perguntando o que tinha acontecido comigo. O que aconteceu comigo?

Acho que o ponto que eu quero tocar neste texto e o ponto que eu sinto maior receio não é a morte, já que esta é certa e eu já estou conformado dela. O que me inquieta é o pós-morte. Não é o céu ou o inferno. É saber se eu vou para junto de Deus, se eu reencarno ou se eu simplesmente sumo. É saber se a consciência existe unicamente como resultado de correlações da matéria ou se ela não tem origem física, apenas usa o corpo como instrumento para se expressar.

Mas então chego à conclusão que não vou gastar meu nobre e curto tempo pensando nisso, pois quando menos se espera: pimba! Só escrevi isso aqui para me extravasar e liberar o que tava engasgado. Mas gastei muito tempo. Agora me dá licença que eu vou viver…

Consoada – Manuel Bandeira

Quando a indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

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